terça-feira, 25 de setembro de 2007

Férias em Ruanda

Quando nascem são irmãos...são filhos...
Quando morrem são só...indigentes...
Quando respiram acreditam estar vivos...
E a agenda cega segue incoerente e bestial...
Mas você não se avisou sobre isso...
Sobre o circo...
Sobre o risco...
Sobre o visgo que prende o ser a pedra...
E dela não nascerá uma flor pequena sequer...
Pois será tarde...
Não será raro...
E será só a espera...
E a saudade de futuro...

terça-feira, 28 de agosto de 2007

deixe-me ir preciso andar...

ergue seu braço cansado e caminha...caminha no mundo que não é mais seu...
luta por ele e finge...
finge com competência...
neste mundo que não é nosso não há duas chances...
sofre...
amargura e definha...
quanto maior tua dor maior o teatro...
e sempre haverá um ator bêbado disposto a mentir a dor do outro...
em nome de um dionísio qualquer...
não seja ávido...
não seja austéro...
não seja...
não...
divida...
domine...
tenha em si...por nós...
um pouco de álcool...não muito...
apenas para esquentar o sentimento adormecido...
um pouco de tristeza...não muita...
apenas para apreciar as linhas de Cartola...
ou qualquer outro blues de vozes negras...
e muita...muita solidão...

domingo, 12 de agosto de 2007

minha certidão de idade





sem grandes inspirações...
hoje já sou o nada que se apresenta...
já tenho o corpo cansado com apenas vinte e poucos...
a vista um pouco turva...
as mãos um pouco trêmulas...
frustrações dos tempos em que era jovem...
uma vontade intensa de não ser...
o peso de ter cento e poucos...
tive tantos amores...queria que pudesse ver...
um deles se parecia com você...
ou não?!
não sei...
no final...sob a dor tanta...
ele se parecia com tudo e todos...
Menos comigo...

terça-feira, 7 de agosto de 2007

cores de Almodóvar


Uma pintura na parede

quadro posto gente exposta

como eu nas tuas costas e o mundo em tuas mãos...

terça-feira, 31 de julho de 2007

e aquele bicho meu deus...aquele bicho era um homem


Chamo-te pelo antinome pai

Quando o invisível some, se esvai...

Em vinho que não bebo,

Em pão que não comerei jamais...

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Minha fantasia é um país...

Ali se perdia o sonho
Num vento leve de outono
Ali se fazia festa
Aqui era só uma voz...
Gritos de desespero não tocam ouvidos
e giram como ciranda sem música, sem alegria
Aqui é que se faz, mas
Ali se paga o preço
das fantasias dormentes,
dos pássaros tristes no ventre,
de quem se desfaz em água e sal...
Ali se contava histórias sobre um novo país...
onde tudo era o que não era
onde o avesso era certo verso de métrica bem desenhada...
Gatos,
flores,
folhas,
rios de água salgada...
Porta menor que o corpo....
Lagarta,
carta,
rainha,
coelho, chapéu de chapeleiro que louco parou no tempo...
País maravilhoso...
Espera os oprimidos,
em barcas multicoloridas
em pequenos comprimidos...
AQUI SE FAZ O CAMINHO, MAS
ALI SE PERDE NO DESCONHECIDO...